FÉRIAS NA PRAIA Pt2

Parte 2 A CHEGADA

A chegada na rodoviária me deu um misto de sentimentos, que vieram exatamente nesta ordem: Felicidade; por estar lá; desespero; por não ter ninguém esperando por mim, duvida; de como eu iria chegar na casa da G. sendo que não fazia a menor ideia de onde ficava, e por ultimo raiva pois o ônibus que me trouxe foi embora e reparei que havia esquecido meu travesseiro lá dentro, e eu não durmo sem meu travesseiro.
Pois bem, liguei pro meu primo W. xinguei ele e pedi pra donde é que eu ia, ele me aconselhou a pegar uma lotação e pedir pra descer próximo a rua 306B, fiz isso com uma dificuldade imensa pois caso você não se lembre ou não se importe, eu estava carregado de malas e sozinho pra carregar.
Desci na rua indicada e lá estava a vara de cutucar estrela, meus primos sempre foram mais altos que eu. Pelos olhos do W. dava pra ver que a noite tinha sido mal dormida e minha chegada atrapalhara seu sono, o que me deixou muito contente pois ele sempre me sacaneava quando criança. Por telefone aquelas pragas me falaram que o apartamento ficava perto da praia, NOT, ficava a mais ou menos 1,28 km de distancia, enquanto caminhávamos, no sol quente pra caralho, ele ai me colocando a par da rotina.
Vale fazer uma pausa para levantar uma polêmica. Por que é socialmente aceitável você andar por ai de roupa de banho, mas é vergonhoso ser visto com roupas de baixo? Sério, por favor, me respondam, pois não entendo, uma mulher aceita ser vista de bikini, mas a mesma criatura faria um escarcéu se fosse vista com calcinha e sutiã, ambos cobrem a mesma quantia de pele a diferença é apenas o material de que são feitos, reflita sobre isso.
É estranho como nos adaptamos rápido ao ambiente em que somos inseridos, se eu estivesse na minha cidade e uma mulher passasse usando somente bikini, ela seria a sensação, na praia, 5 min depois de você dar uma volta, tanto faz, tem bikini e bunda pra todo lado, se torna uma coisa até sem importância, e encorajado pelas baleias antropomórficas que estavam andando pela rua, decidi tirar a camisa e exibir minha estrutura óssea, nesta época eu era tão magro que deviam pensar que eu era algum tipo de inseto, cujo esqueleto fica do lado de fora do corpo, mas se alguém que pesa em torno de seis arrobas anda por ai de boa, eu não tinha com o que me preocupar.
Finalmente chegamos no local, um condomínio ainda em construção, a G. morava no 3° andar e as escadas eram ingrimes e só dava pra passar uma pessoa de cada vez, (anote esta informação ela será relevante mais tarde), depois de instalado propriamente, (no chão ou no sofá não me lembro agora) e alimentado resolvi acompanhar o W. e a J. até a pizzaria onde eles estavam trabalhando, eles iriam me apresentar e eu estava esperançoso de conseguir um trabalho de alta temporada, pena que Murphy destruiria meus planos de passar as féria cheio da grana. No caminho meus primos me levaram na área em que os moto clubes ficavam, pra um moleque que mal havia aprendido a limpar a bunda direito aquilo foi simplesmente DEMAIS, já tinha visto demonstrações de perícia pela televisão mas ao vivo é muito melhor, maquinas que eu calculo, na época, custavam cerca de 50 à 60 mil reais sendo jogadas no chão, rodopiadas, empinadas, tendo seus pneus queimados até explodirem, e o mais incrível é que os autores dessas proezas não eram filhinhos de papai não, eles ERAM os papais, todos ou a maioria eram quarentões e cinquentões, provavelmente tínhamos ali médicos, advogados, empresários e etc, todos extravasando o stress da melhor maneira possível: Gastando todo o dinheiro que eles se estressaram tanto para conseguir.
Quando chegamos na pizzaria foi uma decepção, os donos da pizzaria,(uma família de gordos) disseram que não iriam me contratar, motivo? Eu aparentava ser muito novo e alguém poderia denunciar a pizzaria por trabalho infantil, o fato de 90% dos funcionários deles serem menores de idade nem dá nada né? Mas por causa de um chassi de grilo tudo poderia ir por água a baixo, e mais, um dos caras me falou que ninguém me daria emprego, justamente por aparentar ser muito novo, resolvi de comum acordo com meus pais que iria apenas aproveitar a viagem.
Então, basicamente minha rotina diária era acordar, ir a praia, fazer o almoço pra cambada, visitar a G. no trabalho dela que era uma lan house, portanto eu ficava na net de grátis até o sol ficar a uma temperatura que não descolasse a carne dos meus ossos e voltava para a praia, a noite eu ficava passeando pelos shoppings de verão e de madrugada ia até a pizzaria acompanhar meus primos na volta pra casa.

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