MINHA PRIMEIRA BICLICLETA

A minha primeira bicicleta eu ganhei quando estava na 4° série do primário, bons tempos aqueles em que a única preocupação era ficar com as notas acima da média pra não apanhar de cinta/vara/chinelo/cabo de vassoura (meu pai era bem criativo nesse quesito).
Pois na festinha de fim de ano da quarta série recebi uma surpresa da mama, uma bicicleta novinha de 18 marchas rocha e preta, mal sabia eu que aquela armadilha de metal me causaria dores que eu nunca havia sentido antes, vale lembrar que eu havia ganhado a bicicleta, mas, não sabia andar de bicicleta, o meu vexame já começa aqui meu queridos pois minha bicicleta veio com rodinhas, e como criança é um bicho do capeta não tardou muito pra meus colegas fazerem piada da minha cara, mas eu não tava nem ai, afinal eu finalmente tinha a minha bicicleta
Quando eu finalmente aprendi a andar sem as rodinhas algum tempo depois comecei a ficar confiante demais, pedalando cada vês mais rápido até que tentando fazer uma curva a 200 milhões por hora sem frear acertei o meio fio da calçada, e fui arremessado a alguns metros de distância rolando na terra e parando exatamente na frente de um velho fumando um cigarro de palha e sujando a fralda geriátrica de tanto rir da minha cara, entretanto o senso de auto preservação naquela idade ainda não existia em mim e nem bem tinha me curado da primeira queda e fui apostar uma corrida com a molecada e achei que seria uma boa ideia deitar na bicicleta para ficar mais aerodinâmico e realmente fiquei, o problema foi que aumentando a minha aerodinâmica eu sacrifiquei o contrapeso de equilíbrio, sem os pés nos pedais para controlar meu centro gravitacional é lógico que meu destino foi o asfalto, e o resultado foram alguns centímetros de pele a menos, carrego as cicatrizes até hoje.
A manutenção da bike com o passar dos anos foi ficando de lado e isso me rendeu alguns pontos na cabeça, andando por uma rua movimentada, a roda da frente simplesmente foi embora e o resto da bike ficou, sabe aquele momento triste, em que você sabe que se fodeu? Aquela sensação de desamparo e impotência, o momento em que com milésimos de segundo você sabe que a roda foi embora, você vai parar no chão e não há nada que você possa fazer para impedir? Pois é, eu vi meu futuro naquela roda indo embora, o asfalto, velho conhecido, me abraçou fraternalmente e um exercito de curiosos me cercou, até uma alma caridosa veio e me levantou do chão, por sorte tinha um posto de saúde bem perto, e fui levado para lá, depois de uns curativos tive que andar feito o derrotado que eu era, machucado, com uma roda na mão e a bicicleta na outra, mas a melhor parte vem agora, a acidente foi em frente ao salão de beleza que minha mãe frequentava e não demorou muito para a central de informação da vida alheia espalhar pra todas as conhecidas dela a minha desventura, como cada conto aumenta um ponto, ao invés de chegar em casa com algumas escoriações e curativos, na verdade descobri que eu estava internado em estado grave no hospital porque um carro em alta velocidade havia me atropelado e um estranho carregou meu corpo moribundo para o pronto socorro.
Tirando o fato que cada vez que eu ria sentia dores terríveis até que me diverti com o causo, minha mãe nem queria mais mandar arrumar aquela birosca, mal sabia ela que o filhote ainda passaria por muitas e boas, outro dia eu conto como foi que fui atingido por descargas elétricas de Zeus. Duas vezes!!!

Pablo Victor Arceles não anda mais de bicicleta.

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