O Cyberativismo Aliviando Consciências

“Compartilha se você concorda”; “Se você acha isso certo, curta e compartilhe”, o advento da internet transformou nossas vidas enormemente e em um período de tempo curtíssimo. Há exemplo tenho a mim mesmo, que no longínquo ano de 2005, no auge do Orkut enquanto a molecada invadia as lan houses trocando “scraps”, “depoimentos”, postando fotos e tentando alcançar aquilo que era o supra sumo do Orkut; O nirvana daquela rede social; O ponto máximo que atestaria a sua popularidade na rede mundial de computadores; Aquilo que faria com que você alcançasse o status de sub celebridade internetica: Um milhão de scraps. Eu estava com os fones de ouvido jogando alguma coisa com violência gratuita e infundada.

E assim como o Orkut, a necessidade de scraps deixou de existir, e até mesmo usuários antes assíduos, hoje hostilizam o Orkut, tal qual parentes que chutam o vovô da família, após sacar a aposentadoria do coitado. Estranhamente, nunca fui um usuário amiudado de redes sociais e usava a lan house mais para jogos. Uma rede social é algo que não prende meu interesse por muito tempo, talvez por não ser uma pessoa muito sociável, mas isso não me impediu de pagar atenção a um comportamento muito comum na mais nova rede de amigos imaginários da internet mundial, o Facebook. Centenas, milhares, quiçá milhões de pessoas estão adotando uma postura que é no mínimo deprimente, o Cyberativismo.

Basicamente as pessoas postam imagens de coisas com as quais acham certo ou errado e inserem na legenda da postagem: “Compartilhe se você concorda”, o usuário sensibilizado pela imagem de alguma criança africana esfomeada, se apressa em curtir e compartilhar a imagem com todos os seus, “amigos?” para difundir a palavra e iniciar uma discussão inútil de como a situação dos africanos é pior que nossa e quão triste deve ser morar em um lugar destes. O único problema é que essa postura é apenas para amenizar a consciência dos indivíduos que em sua gigantesca maioria, não faz absolutamente nada para mudar a condição de pessoas de rua na sua própria cidade, imaginem então para aqueles de estão a um oceano de distância.

Existem muitas pessoas que levam o ativismo a sério, eu conheço pelo menos duas, mas ainda assim são minoria.

Imagino que a nova necessidade social é o que impulsiona este tipo de comportamento. Uma droga virtual altamente viciante, que faz com que uma pessoa sem a mínima vontade de se levantar e mudar o mundo fique postando mensagens cyberativistas: Receber “likes” ou “joinhas” de seus amigos, ou talvez a simples falta de percepção do mundo a sua volta, a falta de noção de que o Facebook não vai doar quantia X de dinheiro para aquela criancinha com câncer por: 1- O Facebook é uma empresa privada com ações na bolsa de valores (caríssimas a propósito). Seu objetivo é lucro. 2-Caso por alguma epifania Mark Zukeberg, proprietário da rede social fizesse uma campanha destas, ele abriria um desastroso precedente, onde qualquer pessoa necessitada iria exigir ou pedir dinheiro em troca de compartilhamentos.

Resumindo. Minhas queridas formas de vida pluricelulares baseadas em carbono descendentes de hominídeos, seus compartilhamentos não salvam vidas, não doam dinheiro, não recuperam animais de maus tratos, não trarão Jesus de volta e não vão mudar a realidade sociocultural do nosso país.

Em contrapartida temos alguns exemplos de Cyberativismo que se mostram úteis como: Compartilhamento de pessoas desaparecidas, animais perdidos, e um ou outro cartaz de procurados pela justiça (controverso). Exemplos assim já deram alguns resultados positivos.

Na onda mais recente, ou não tão recente, temos os movimentos políticos que levaram milhões de pessoas as ruas protestando a favor ou contra as mais diversas causas, e que teve o apelido na Web de “Primavera Tropical”, uma apologia ao movimento político que derrubou regimes no oriente médio chamado de “Primavera Árabe”, e que também se iniciou em uma rede social, os protestos nas ruas se acalmaram, mas as mensagens políticas a favor dos protestos continuam martelando na cabeça dos usuários das mais diversas redes sociais.

E depois de tudo isso, vamos esperando que com o tempo as pessoas ou sua maioria, adquiram consciência de que, para mudar o mundo não basta um clic.

 

Pablo Victor Arceles só usa o Facebook para jogos (2013).

Update de 2017 Pablo Victor Arceles deletou seu facebook.

Anúncios