CADÊ O RESPEITO MOLEQUE?

Ou eu estou ficando absurdamente intolerante ou essas crianças absolutamente desrespeitosas, não que eu seja um exemplo de pessoa sociável, aliás quanto menos interação humana pra mim melhor, e com 24 anos estou com a paciência de um velho de 75 anos que o único divertimento da vida e passar na frente da fila só pra irritar os outros e tal qual um velho, adoro falar sobre o meu tempo.

A exemplo: No meu tempo, eu nunca levantei a voz pra qualquer professor ou funcionário da escola, aliás, a lista de pessoas para quem eu levantei a voz não é muito extensa, e hoje em dia vemos a criançada em um total desrespeito por qualquer pessoa que trabalhe em uma instituição de ensino. Em apenas um ano trabalhando em uma escola publica, já presenciei alunos retrucando professores, gritando, ameaçando inclusive, mas para mim o que mais irrita é o deboche, e eu detesto pessoas debochadas, não, acho que não fui claro o suficiente, prefiro assistir a uma maratona de propagandas políticas do que conviver com pessoas debochadas, e hoje eu tive minha cota.

Me ofereci para substituir uma funcionaria na hora do recreio, eu e mais um colega deveríamos ficar (e ficamos) observando as crianças de 4° e 5° ano brincarem no parquinho, afim de evitar algo como um hematoma, braço quebrado ou traumatismo craniano, coisa “poca”, e por Odin como foi difícil, eles não param de correr e gritar o tempo todo e isso não seria problema, o problema é que ela adoram subir em lugares altos e perigosos e afim de evitar um acidente o tempo todo temos que chamar a atenção de um e de outro, pois em determinado momento um aluno com 1/3 do meu tamanho, além de nem dar bola pro meu aviso, ainda deu risada e correu quando fui repreende-lo, rindo-se e correndo pelo parque com um olhar que dizia claramente que eu não poderia fazer nada.

Logicamente o objetivo dele era me fazer de palhaço, correndo de um lado para o outro para chamar atenção dos colegas, eu é não iria servir de piada pra um moleque de 10 ou 11 anos, fiquei esperando o recreio acabar e fui à sala busca-lo para dizer a coordenação o ocorrido, mencionei que no caminho tive que separar uma menina e um menino que estava se estapeando? Pois bem lá fui eu com os brigões a me seguir e com o debochado na minha frente, saltitando serelepemente pelo caminho, quando chegamos entendi o motivo do comportamento debochado do guri, a coordenadora, de mãos amarradas, deu apenas um aviso verbal ao menino cuja presença na coordenação já era recorrente.

Eu nem sei o que eu esperava, talvez as lembranças de minha infância me dissessem que uma ida a coordenação fosse aterrorizante e nunca mais ele iria se comportar daquela maneira, ledo engano. O Estatuto da Criança e do Adolescente tem protegido e garantido os direitos de crianças há 20 anos, porém, em menos de uma geração as crianças já aprenderam que tem mais direitos do que deveres, aprenderam que em uma época obscura e distante a palmatória era a lei, mas que isso é passado, aprenderam também que não podem mais apanhar dos pais, e em alguns casos mais graves aprenderam que não serão punidos por algum eventual crime.

Corajosos aqueles que lecionam e aguentam muitas vezes um tratamento humilhante. Por falar nisso, se acaso a professora Neuci estiver lendo isso, você me deu aulas de português e eu te detestava por ser tão rígida, hoje como adulto, digo obrigado pois nunca tive a chance de dizer que sua cobrança me rendeu o sonho de um dia ser jornalista e escritor, desculpe por nunca ter agradecido, pois a cobrança mais dura é dada aquele com mais potencial.

30/10/2013

Pablo Victor Arceles ficou com olhos mareados ao escrever o ultimo parágrafo.

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Minha visão dos contos fadas

Não é novidade pra ninguém que os contos de fadas eram totalmente bizarros em suas versões originais, caso você não saiba, eu te dou uma previa. A Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, na historia original, a vovozinha vira jantar, o lobo obriga ela a comer a carne da própria avó, beber seu sangue, depois ele tem relações sexuais com a chapeuzinho, ai sim ele come ela, desta vez no sentido gastronômico da palavra.

A Cinderela até que se dá bem, mas não existe fada, em algumas versões é uma bruxa e em outra é um peixe mágico, e uma das irmãs malvadas decepa metade do próprio pé para que o sapato sirva nela, o que obviamente não dá certo, mas se analisarmos a historia atual além de não fazer sentido nenhum, a fabula ainda passa valores errados, senão errados, pelo menos impróprio. A Cinderela quando é trabalhadeira, não é valorizada, muito pelo contrario, até que não mais que de repente, uma fada surge coloca nela roupas bonitas e lhe dá uma carruagem, agora pense se ao invés de estar usando o vestido mais bonito da festa ela estivesse servindo canapés, será que o príncipe teria se apaixonado por ela? E que tipo de príncipe é esse? Diz que está apaixonado pela moça mas não é capaz de reconhece-la, não, não, ao invés disso ele usa um método muito mais fácil e infalível, ele experimenta um sapato em toda moça do reino, por que como todos sabemos, nenhum pé é do mesmo tamanho que outro não é mesmo? Fico me perguntando as vezes se o príncipe não estava completamente bêbado na fatídica noite, moral de historia, não adianta trabalhar e ser esforçado, basta você ser bonito e tudo vai melhorar.

Patinho feio, esse, pra mim é o pior exemplo de historia de todos os tempos, o pato não faz absolutamente nada, passa a vida toda choramingando que é feio, que ninguém gosta dele, e o que ele faz para reverter a situação? Ele foge, foge meus amigos, ao invés de encarar o problema de frente erguer a cabeça e dar a volta por cima ele foge dos problemas e a situação dele se resolve como? Você sabe, eu sei, todos sabem, mesma moral da Cinderela, ele vira um cisne, e vive feliz para sempre, porque  afinal se você não for bonito sua vida sempre vai ser infeliz, na visão das histórias claro.

Flautista de Hamelin, essa é boa, um flautista, mágico presta um valioso serviço a uma cidade livrando-os de uma praga de ratos, os caloteiros resolvem não pagar o flautista que desta vez toca uma melodia que hipnotiza as crianças da cidade, ele as tranca em um caverna e a cidade fica repleta de adultos e coberta por um manto de tristeza, moral da história, pague o que deve ou o banco toma seus bens.

 

 

Eu o vilão

Opa!! De boa na canoa? Então gurizada, estava eu, confabulando com meus botões quando fiz uma descoberta sobre mim: Eu sou um vilão.
Na verdade tudo faz sentido agora, minhas opiniões fortes, minha visão política, meu modo de ver a vida, mas principalmente, o que mais fez sentido nisso tudo foi minha infância, eu era meio psicopata e sinceramente não sei como nunca fui preso ou respondi judicialmente por nada (Por enquanto).
Na minha tenra infância eu era capaz de coisas como, jogar todo o tipo de objeto nos telhados dos vizinhos, usar toda a sorte de explosivos EM QUALQUER COISA, interditar uma ala inteira do meu colégio e quase intoxicar vários alunos entre outros, os motivos pelo quais eu vou escrever sobre algumas coisas que eu fiz são: (a) já não moro mais no mesmo lugar a anos , (b) já faz de 10 á 17 anos que as historias aconteceram (caralho, tô ficando velho), então qualquer tipo de represália judicial está fora de questão, (c) não sou mais o monte de bosta que eu era, agora sou um monte de bosta praticante de uma arte marcial e apto a se defender de possíveis agressões físicas, (d) to sem assunto nesta bosta portanto tenho que começar a desenterrar alguns podres para manter vocês lendo esta pocilga.
Pois bem, comecemos pelo meu complexo de artilheiro (http://pt.wikipedia.org/wiki/Artilharia) onde eu me municiava de um variado arsenal, para lançar com rota matematicamente calculada em cima dos telados de minhas desavenças, a munição incluía mas não se limitava a: Ovos, mangas podres, torrões de terra, pedaços de tijolos, essas coisinhas inofensivas, me posicionava em cima da casa ou em algum ponto no quintal, de acordo com alvo, e alvejava as casas escolhendo a munição de acordo com o meu nível de raiva pela pessoa, uma artilharia comum necessita de alguém passando as coordenadas por rádio para que o alvo seja atingido, como eu tinha que realizar meus ataques protegido pela escuridão da noite eu dava o primeiro tiro calculando mentalmente a posição do alvo e os tiros subsequentes eram dados de acordo com os gritos de fúria dos moradores alvejados, de certa feita deu uma grandíssima merda, pois tendo calculado mal a rota dos projéteis, acertei um ovo dentro da casa de um malandro do qual eu queria me vingar (ele cortou minha pipa com cerol), a porta da sala estava a berta e o ovo ao invés de empreender uma trajetória de 180° teve uma trajetória de 45° e menor força do que eu imaginava, resultado, a família recebeu uma omelete voadora, acompanhada segundos depois por um torão de terra, os malandro, sabendo da minha (má) fama, foram lá em casa só pra conferir (confirmar) se os projeteis tinham partido de lá, felizmente a essa altura eu já havia escutado as ameaças e deu tempo de trancar toda a casa e apagar as luzes, minha sorte é que meus pais estudavam e trabalhavam, então sobrava pouco tempo para atenderem as reclamações da vizinhança.
Bom, como já mencionei em outros textos, se não mencionei vou mencionar agora, quando adquiri maturidade suficiente(12 ou 13 anos), tive contato com artefatos explosivos, em outras épocas, qualquer piá pançudo podia comprar quantidade de explosivos o suficiente para mandar ele e mais uns 3 amiguinhos para a casa do cacete, pois bem eu e um amigo o C. comprávamos, rojões, foguetes, bombinhas e quando falo “bombinhas” falo de um artefato com poder de fogo pra PULVERIZAR um tijolo, e uma das maiores alegrias era sair pela cidade enfiando essas bombas em tijolos, arvores e portões das casas, simplesmente pelo prazer de ver algo que não fosse nosso ir pelo ares, até mesmo no centro da cidade, acendíamos a bomba e jogávamos em alguma lata ou em um estacionamento, a gente chamava aquela bomba de “tiro de 12” em homenagem a célebre arma de fogo.
Outra peripécia que armei, e desta vez agi sozinho, teve a ver com Fio Químico, se você não foi um psicopata quando criança provavelmente não sabe o que é isso então eu conto, quer saber? conto nada, procura no Google, tudo o que você precisa saber é que ele funciona como se fosse um incenso, você acende só uma brasinha no barbante e deixa a natureza cuidar do resto, o calor da brasa reage com o enxofre presente no barbante e o resultado é: Em um raio de 20 metros era impossível de qualquer ser humano ficar. Aquela porcaria custava 25 centavos na época, então me armei com 5 reais de fios químicos e no dia seguinte pedi licença para a professora para sair pra “beber Água” e por onde passei escondi em algum canto um maldito fio, como demorava alguns minutos para a reação iniciar deu tempo de voltar pra sala sem levantar suspeitas, alguns minutos depois, começou a merda, o maldito cheiro ficou pior e com um alcance MUITO maior que eu esperava. Aliás já reparou que a maioria das merdas que acontecem comigo é porque eu sempre esperava algo menor e controlável? Eu queria era só irritar todo mundo mas consegui interditar aquela ala do colégio durante o período da manha, fiz várias alunas passarem mal, o diretor da escola passar de sala por sala ameaçando os possíveis autores do ato, mas no final das contas consegui o que eu queria, irritei muita gente.
O melhor de tudo era que como um dos Nerds da sala nenhuma suspeita recaiu sobre mim, apesar de ter sido o ultimo a sair da sala, os “descolados” ficaram se acusando e bolando teorias de como haviam intoxicado metade da escola e eu fiquei de boa (Pelo menos até hoje).

Pablo Victor Arceles Encontrou na net como fazer fio químico caseiro.

MINHA PRIMEIRA BICLICLETA

A minha primeira bicicleta eu ganhei quando estava na 4° série do primário, bons tempos aqueles em que a única preocupação era ficar com as notas acima da média pra não apanhar de cinta/vara/chinelo/cabo de vassoura (meu pai era bem criativo nesse quesito).
Pois na festinha de fim de ano da quarta série recebi uma surpresa da mama, uma bicicleta novinha de 18 marchas rocha e preta, mal sabia eu que aquela armadilha de metal me causaria dores que eu nunca havia sentido antes, vale lembrar que eu havia ganhado a bicicleta, mas, não sabia andar de bicicleta, o meu vexame já começa aqui meu queridos pois minha bicicleta veio com rodinhas, e como criança é um bicho do capeta não tardou muito pra meus colegas fazerem piada da minha cara, mas eu não tava nem ai, afinal eu finalmente tinha a minha bicicleta
Quando eu finalmente aprendi a andar sem as rodinhas algum tempo depois comecei a ficar confiante demais, pedalando cada vês mais rápido até que tentando fazer uma curva a 200 milhões por hora sem frear acertei o meio fio da calçada, e fui arremessado a alguns metros de distância rolando na terra e parando exatamente na frente de um velho fumando um cigarro de palha e sujando a fralda geriátrica de tanto rir da minha cara, entretanto o senso de auto preservação naquela idade ainda não existia em mim e nem bem tinha me curado da primeira queda e fui apostar uma corrida com a molecada e achei que seria uma boa ideia deitar na bicicleta para ficar mais aerodinâmico e realmente fiquei, o problema foi que aumentando a minha aerodinâmica eu sacrifiquei o contrapeso de equilíbrio, sem os pés nos pedais para controlar meu centro gravitacional é lógico que meu destino foi o asfalto, e o resultado foram alguns centímetros de pele a menos, carrego as cicatrizes até hoje.
A manutenção da bike com o passar dos anos foi ficando de lado e isso me rendeu alguns pontos na cabeça, andando por uma rua movimentada, a roda da frente simplesmente foi embora e o resto da bike ficou, sabe aquele momento triste, em que você sabe que se fodeu? Aquela sensação de desamparo e impotência, o momento em que com milésimos de segundo você sabe que a roda foi embora, você vai parar no chão e não há nada que você possa fazer para impedir? Pois é, eu vi meu futuro naquela roda indo embora, o asfalto, velho conhecido, me abraçou fraternalmente e um exercito de curiosos me cercou, até uma alma caridosa veio e me levantou do chão, por sorte tinha um posto de saúde bem perto, e fui levado para lá, depois de uns curativos tive que andar feito o derrotado que eu era, machucado, com uma roda na mão e a bicicleta na outra, mas a melhor parte vem agora, a acidente foi em frente ao salão de beleza que minha mãe frequentava e não demorou muito para a central de informação da vida alheia espalhar pra todas as conhecidas dela a minha desventura, como cada conto aumenta um ponto, ao invés de chegar em casa com algumas escoriações e curativos, na verdade descobri que eu estava internado em estado grave no hospital porque um carro em alta velocidade havia me atropelado e um estranho carregou meu corpo moribundo para o pronto socorro.
Tirando o fato que cada vez que eu ria sentia dores terríveis até que me diverti com o causo, minha mãe nem queria mais mandar arrumar aquela birosca, mal sabia ela que o filhote ainda passaria por muitas e boas, outro dia eu conto como foi que fui atingido por descargas elétricas de Zeus. Duas vezes!!!

Pablo Victor Arceles não anda mais de bicicleta.