Contos do proc´s

É inacrebilivél a habilidade algumas pessoas de fazer imbecilidades, como estou trabalhando no PROCON da minha cidade sinto a obrigação de contar alguns causos de pessoas que atendemos por aqui e após atendermos vamos para a salinha do café rir até rachar o bico e contar para os colegas rirem também (não me julgue você também faz isso). Pois bem, vou contar a vocês o caso mais fresco na memória, e fresco é a palavra chave pra este fulano, que por motivos judiciais vou chamar de G, pois bem, o G apareceu por aqui com a fatura do cartão de crédito e por um incrível milagre o órgão estava praticamente vazio e eu estava ajudando na recepção, o cara vem até  o estagiário e fala “Viu eu entrei em um site aê e coloquei o numero do cartão de crédito e agora recebo cobranças que não consigo cancelar”, OK, caso tipico por aqui, as pessoas vão colocando seu dados pessoais em tudo que é serviço que solicita e acaba se fodendo grandão, alás grande parte da nossa demanda é de pessoas que causaram sua própria mazela, seja por ignorância ou inocência, ou no caso em questão burrice mesmo. Resolvi atender o cara (sorte dele) e examinei a cobrança do cartão em um site estrangeiro cobrando 40 Obamas, isso em uma época de dólar a R$3,40 dá uma dor no coração levar uma carcada dessas. para minha surpresa (e horror) o cara abriu o jogo:

G: “Cara, entrei em site porno e dei o numero do cartão de crédito, e já faz um tempo, tentei achar o site mas ficam abrindo muita telas e não lembro mais qual era o site.”

OK, pausa para rolar de rir mentalmente, agora. tenho uma facilidade grande de disfarçar emoções, toda vez que alguém vem contando historinhas trites não dou bola e quando fazem coisas estupidas não rio na cara delas, procuro petrificar a face assim é mais profissional.

EU: “OK cara é o seguinte (perdi a formalidade no momento exato que ele falou PORNO). eu não sei se posso te ajudar, 1º o pessoal do banco precisa da confirmação do cancelamento pra parar o repasse de valores, 2º eu uso internet do servidor da prefeitura, sites porno são bloqueados e mesmo que não fossem eu não iria procurar por cada site porno que você visitou só pra solicitar o cancelamento.”

A cereja no topo do bolo de cocô foi quando pedi pra ele verificar o histórico assim dava pra rastrear o site em que ele entrou.

G: Eu apago meu histórico”.

Caralho, que filho da puta, porque um cara solteiro com uma aparência de quem entraria facilmente para o exercito nazista apagaria o próprio histórico? mas beleza, peguei a fatura do cartão de crédito e verifiquei que havia um site na descrição da cobrança, tentei entrar e para meu alivio não era um site de libertinagens, provavelmente era o portal que administrava o tal site, procurei por opções de cancelamento e encontrei um campo que pedia os dados de usuário que o obviamente não recordava, eis que reparei na opção chat com atendente, o games dos anos 90 me ajudaram e conseguir conversar decentemente em inglês com o indiano que me atendia, onde o mesmo me enviou o código de cancelamento do site:  MAXGAYVIDEOSHD.COMmano, não sei como eu não comecei a rir como uma hiena cantando o hina da Argentina, um malandro padrão OSS se apresenta para solicitar o cancelamento de um site porno gay? caralho velho, não conhece RED TUBE não? mas beleza, finalizei o atendimento e tomei muita precaução de afastar a cadeira quando ele levantou pra se despedir (vai saber o que andou fazendo com aquela mão né?).

Outro que se ferrou grandão foi o… bem vou chamar de Marido, antes da história só uma curiosidade: Traficantes, corruptos, contrabandista, enfim, qualquer um que faz alguma coisa de errado tem as manhas de não ser rastreado, guarde esta informação.

O marido veio com a digníssima esposa ao órgão solicitando um contato com o cartão de crédito porque de uma maneira que nem Thor sabe explicar apareceu uma cobrança em sua fatura de uma boate da cidade vizinha, ele nunca tinha posto os pés lá, jamais entrou neste antro, e além do mais a cobrança tinha sido realizada em um domingo, boates não abrem no domingo e para ele a unica opção era que seu cartão havia sido clonado, acontece não é mesmo?

Nesses casso a empresa do cartão dá um crédito de confiança para a pessoa, você liga e pede para realizar uma investigação, a empresa te dá o crédito cobrado como forma de confiança e se você estiver errado será debitado novamente.

Mas alguma coisa estava errada, não encaixava na minha cabeça essa história, peguei o telefone e liguei para o local que para a minha surpresa estava aberto, questionando sobre a situação a moça que me atendeu falou que realmente não abriam no domingo, porém, se ele foi lá no sábado à noite e  passou o cartão depois da meia noite era obvio que a cobrança apareceria como feita no domingo.

Dito e feito a empresa retornou a ligação cinco dias depois relatando que iria cobrar o cara porque haviam outras cobranças no mesmo local em várias faturas anteriores e ele nunca reclamou, pois é malandro aprenda com a galera do mal se vai fazer merda use dinheiro vivo pra não ser rastreado.

Pablo Victor Arceles.

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Ó nóis aqui traveis

Então né galera, to aqui varrendo o lugar, tirando teias de aranha e tals, sempre falo pra mim mesmo que vou voltar a escrever e atualizar com mais frequência masss, sabem como é a vida de um pai de família né? mas hoje não tinha escapatória eu tenho o dever moral de relatar alguns acontecimentos atuais, agora a pouco mesmo aconteceu um fato que deve ser relatado, um cara esfaqueado apareceu aqui pra fazer uma reclamação de um fornecedor, ahh é, nem contei, sai da secretaria da escola e agora estou em um local mais apropriado para mim, agora sou atendente do PROCON da minha cidade e a confusão está armada, é excelente trabalhar aqui porque cada dia é um confusão nova e como a desgraça alheia me alimenta me sinto muito bem aqui.

Mas hoje eu tive que parar e escrever pra vocês novamente, isso se é que alguém lê isto pois me sinto um esquizofrênico falando/escrevendo sozinho mas, vá lá. O maluco adentrou ao recinto e foi passar pela triagem, que é padrão pra ver se o problema realmente é no PROCON ou outro lugar, e começou a cantar a triste canção que é a sua vida pra todo mundo do órgão ouvir, o que não é raro afinal muita gente exaltada vem aqui e o problema do cara era mais ou menos assim: ele comprou umas cestas básicas de um fornecedor, destes de porta em porta e acabou por ser meio que esfaqueado, e como ele fez questão de repedir “discorriscadamente”, passou 90 dias em cima de uma cama comendo por um canudo e não pôde trabalhar, tampouco pagar o débito, agora a empresa não quer reparcelar a divida e o cara não pode mais trabalhar. ok, mas a parte da loucura vem agora, para provar para as estagiárias que haviam tentado uma lipoaspiração alternativa nele, o malandro levantou a camisa e retirou a proteção dos curativos para mostrar uma senhora cicatriz, creio que o cara só conseguiu sobreviver aquele golpe devido a camada protetora de adiposidade em volta de seus órgãos.

O segundo caso ainda bem não fui eu que atendi, caso fosse provavelmente eu estaria assinando um termo circunstanciado na delegacia agora, uma mulher maluca com sua mãe maluca resolveu baixar a qui pra solicitar maluquices, a mulher queria que só na base da alegação e sem nenhuma comprovação documental que minha colega forçasse o fornecedor a devolver dinheiro pra ela em uma transação que fez só na base da palavra com um vendedor de móveis usados, basicamente a consumidora de produtos tóxicos fez um escambo com o cara, dando móveis da casa dela pra abater o preço em outros novos móveis velhos para seu uso, o problema é que depois do negócio fechado ela decidiu que os móveis que havia dado como moeda de troca valiam mais agora do que na data de negociação, pois o dono da loja teria colocado elas na vitrine por um preço superior ao que eles valeram no escambo (espero que vocês estejam entendendo eu particularmente estou perdido) SURPRISE MOTHER FOCKER. Conseguiu entender o drama da solicitação? a velha quer o lojista devolva pra ela o dinheiro que ela pagou “a mais” ignorando completamente o fato de que o principio de uma loja de moveis usados é revender por um preço mais alto.

Teve mais um malandro que eu mesmo atendi, já trabalhou com cheque? não? ótimo continue assim e seja feliz, a solicitação do cara até que é justa, mas isso não me impede de zuar o malandro. O cara nunca trabalhou com cheque e quando fez sua primeira conta corrente o banco lhe envia um talão ele deve ter pensado “céus, estou rico” ou “céus, como sou importante” e saiu panfletando cheques pela praça, sabe o que aconteceu? SURPRISE MOTHER FOCKER!!!. 11 cheques do galdério sem fundos, o cara fez das tripas coração pra pagar tudo e conforme ia resgatando os cheques ele ia em sua fúria rasgando os mesmos, ou seja ele estava rasgando as provas de ele não tinha mais débitos pendentes um ano depois ele descobre que o banco o estava negativando pelos mesmos cheques, o cara então pega um modelo de declaração vai em cada dono de empresa onde resgatou os cheques, recolhe assinaturas, reconhece firma, e quando leva no banco SURPRISE AGAAAAAIN!! MOTHER FOCKER!!, o pessoal do banco alegou que a declaração que deram pra ele era o modelo errado, e deveria pegar outra e fazer tudo de novo. Bonito hein? esse ultimo causo é tão zuado que até parece que foi comigo,.

Moral da história: As pessoas que te atendem não dão a minima para você, estão ali somente por obrigação; Não seja maluco; e não use cheques, não confie em vendedores.

 

 

 

Pablo Victor Arceles

 

CADÊ O RESPEITO MOLEQUE?

Ou eu estou ficando absurdamente intolerante ou essas crianças absolutamente desrespeitosas, não que eu seja um exemplo de pessoa sociável, aliás quanto menos interação humana pra mim melhor, e com 24 anos estou com a paciência de um velho de 75 anos que o único divertimento da vida e passar na frente da fila só pra irritar os outros e tal qual um velho, adoro falar sobre o meu tempo.

A exemplo: No meu tempo, eu nunca levantei a voz pra qualquer professor ou funcionário da escola, aliás, a lista de pessoas para quem eu levantei a voz não é muito extensa, e hoje em dia vemos a criançada em um total desrespeito por qualquer pessoa que trabalhe em uma instituição de ensino. Em apenas um ano trabalhando em uma escola publica, já presenciei alunos retrucando professores, gritando, ameaçando inclusive, mas para mim o que mais irrita é o deboche, e eu detesto pessoas debochadas, não, acho que não fui claro o suficiente, prefiro assistir a uma maratona de propagandas políticas do que conviver com pessoas debochadas, e hoje eu tive minha cota.

Me ofereci para substituir uma funcionaria na hora do recreio, eu e mais um colega deveríamos ficar (e ficamos) observando as crianças de 4° e 5° ano brincarem no parquinho, afim de evitar algo como um hematoma, braço quebrado ou traumatismo craniano, coisa “poca”, e por Odin como foi difícil, eles não param de correr e gritar o tempo todo e isso não seria problema, o problema é que ela adoram subir em lugares altos e perigosos e afim de evitar um acidente o tempo todo temos que chamar a atenção de um e de outro, pois em determinado momento um aluno com 1/3 do meu tamanho, além de nem dar bola pro meu aviso, ainda deu risada e correu quando fui repreende-lo, rindo-se e correndo pelo parque com um olhar que dizia claramente que eu não poderia fazer nada.

Logicamente o objetivo dele era me fazer de palhaço, correndo de um lado para o outro para chamar atenção dos colegas, eu é não iria servir de piada pra um moleque de 10 ou 11 anos, fiquei esperando o recreio acabar e fui à sala busca-lo para dizer a coordenação o ocorrido, mencionei que no caminho tive que separar uma menina e um menino que estava se estapeando? Pois bem lá fui eu com os brigões a me seguir e com o debochado na minha frente, saltitando serelepemente pelo caminho, quando chegamos entendi o motivo do comportamento debochado do guri, a coordenadora, de mãos amarradas, deu apenas um aviso verbal ao menino cuja presença na coordenação já era recorrente.

Eu nem sei o que eu esperava, talvez as lembranças de minha infância me dissessem que uma ida a coordenação fosse aterrorizante e nunca mais ele iria se comportar daquela maneira, ledo engano. O Estatuto da Criança e do Adolescente tem protegido e garantido os direitos de crianças há 20 anos, porém, em menos de uma geração as crianças já aprenderam que tem mais direitos do que deveres, aprenderam que em uma época obscura e distante a palmatória era a lei, mas que isso é passado, aprenderam também que não podem mais apanhar dos pais, e em alguns casos mais graves aprenderam que não serão punidos por algum eventual crime.

Corajosos aqueles que lecionam e aguentam muitas vezes um tratamento humilhante. Por falar nisso, se acaso a professora Neuci estiver lendo isso, você me deu aulas de português e eu te detestava por ser tão rígida, hoje como adulto, digo obrigado pois nunca tive a chance de dizer que sua cobrança me rendeu o sonho de um dia ser jornalista e escritor, desculpe por nunca ter agradecido, pois a cobrança mais dura é dada aquele com mais potencial.

30/10/2013

Pablo Victor Arceles ficou com olhos mareados ao escrever o ultimo parágrafo.

Minha visão dos contos fadas

Não é novidade pra ninguém que os contos de fadas eram totalmente bizarros em suas versões originais, caso você não saiba, eu te dou uma previa. A Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, na historia original, a vovozinha vira jantar, o lobo obriga ela a comer a carne da própria avó, beber seu sangue, depois ele tem relações sexuais com a chapeuzinho, ai sim ele come ela, desta vez no sentido gastronômico da palavra.

A Cinderela até que se dá bem, mas não existe fada, em algumas versões é uma bruxa e em outra é um peixe mágico, e uma das irmãs malvadas decepa metade do próprio pé para que o sapato sirva nela, o que obviamente não dá certo, mas se analisarmos a historia atual além de não fazer sentido nenhum, a fabula ainda passa valores errados, senão errados, pelo menos impróprio. A Cinderela quando é trabalhadeira, não é valorizada, muito pelo contrario, até que não mais que de repente, uma fada surge coloca nela roupas bonitas e lhe dá uma carruagem, agora pense se ao invés de estar usando o vestido mais bonito da festa ela estivesse servindo canapés, será que o príncipe teria se apaixonado por ela? E que tipo de príncipe é esse? Diz que está apaixonado pela moça mas não é capaz de reconhece-la, não, não, ao invés disso ele usa um método muito mais fácil e infalível, ele experimenta um sapato em toda moça do reino, por que como todos sabemos, nenhum pé é do mesmo tamanho que outro não é mesmo? Fico me perguntando as vezes se o príncipe não estava completamente bêbado na fatídica noite, moral de historia, não adianta trabalhar e ser esforçado, basta você ser bonito e tudo vai melhorar.

Patinho feio, esse, pra mim é o pior exemplo de historia de todos os tempos, o pato não faz absolutamente nada, passa a vida toda choramingando que é feio, que ninguém gosta dele, e o que ele faz para reverter a situação? Ele foge, foge meus amigos, ao invés de encarar o problema de frente erguer a cabeça e dar a volta por cima ele foge dos problemas e a situação dele se resolve como? Você sabe, eu sei, todos sabem, mesma moral da Cinderela, ele vira um cisne, e vive feliz para sempre, porque  afinal se você não for bonito sua vida sempre vai ser infeliz, na visão das histórias claro.

Flautista de Hamelin, essa é boa, um flautista, mágico presta um valioso serviço a uma cidade livrando-os de uma praga de ratos, os caloteiros resolvem não pagar o flautista que desta vez toca uma melodia que hipnotiza as crianças da cidade, ele as tranca em um caverna e a cidade fica repleta de adultos e coberta por um manto de tristeza, moral da história, pague o que deve ou o banco toma seus bens.

 

 

Eu o vilão

Opa!! De boa na canoa? Então gurizada, estava eu, confabulando com meus botões quando fiz uma descoberta sobre mim: Eu sou um vilão.
Na verdade tudo faz sentido agora, minhas opiniões fortes, minha visão política, meu modo de ver a vida, mas principalmente, o que mais fez sentido nisso tudo foi minha infância, eu era meio psicopata e sinceramente não sei como nunca fui preso ou respondi judicialmente por nada (Por enquanto).
Na minha tenra infância eu era capaz de coisas como, jogar todo o tipo de objeto nos telhados dos vizinhos, usar toda a sorte de explosivos EM QUALQUER COISA, interditar uma ala inteira do meu colégio e quase intoxicar vários alunos entre outros, os motivos pelo quais eu vou escrever sobre algumas coisas que eu fiz são: (a) já não moro mais no mesmo lugar a anos , (b) já faz de 10 á 17 anos que as historias aconteceram (caralho, tô ficando velho), então qualquer tipo de represália judicial está fora de questão, (c) não sou mais o monte de bosta que eu era, agora sou um monte de bosta praticante de uma arte marcial e apto a se defender de possíveis agressões físicas, (d) to sem assunto nesta bosta portanto tenho que começar a desenterrar alguns podres para manter vocês lendo esta pocilga.
Pois bem, comecemos pelo meu complexo de artilheiro (http://pt.wikipedia.org/wiki/Artilharia) onde eu me municiava de um variado arsenal, para lançar com rota matematicamente calculada em cima dos telados de minhas desavenças, a munição incluía mas não se limitava a: Ovos, mangas podres, torrões de terra, pedaços de tijolos, essas coisinhas inofensivas, me posicionava em cima da casa ou em algum ponto no quintal, de acordo com alvo, e alvejava as casas escolhendo a munição de acordo com o meu nível de raiva pela pessoa, uma artilharia comum necessita de alguém passando as coordenadas por rádio para que o alvo seja atingido, como eu tinha que realizar meus ataques protegido pela escuridão da noite eu dava o primeiro tiro calculando mentalmente a posição do alvo e os tiros subsequentes eram dados de acordo com os gritos de fúria dos moradores alvejados, de certa feita deu uma grandíssima merda, pois tendo calculado mal a rota dos projéteis, acertei um ovo dentro da casa de um malandro do qual eu queria me vingar (ele cortou minha pipa com cerol), a porta da sala estava a berta e o ovo ao invés de empreender uma trajetória de 180° teve uma trajetória de 45° e menor força do que eu imaginava, resultado, a família recebeu uma omelete voadora, acompanhada segundos depois por um torão de terra, os malandro, sabendo da minha (má) fama, foram lá em casa só pra conferir (confirmar) se os projeteis tinham partido de lá, felizmente a essa altura eu já havia escutado as ameaças e deu tempo de trancar toda a casa e apagar as luzes, minha sorte é que meus pais estudavam e trabalhavam, então sobrava pouco tempo para atenderem as reclamações da vizinhança.
Bom, como já mencionei em outros textos, se não mencionei vou mencionar agora, quando adquiri maturidade suficiente(12 ou 13 anos), tive contato com artefatos explosivos, em outras épocas, qualquer piá pançudo podia comprar quantidade de explosivos o suficiente para mandar ele e mais uns 3 amiguinhos para a casa do cacete, pois bem eu e um amigo o C. comprávamos, rojões, foguetes, bombinhas e quando falo “bombinhas” falo de um artefato com poder de fogo pra PULVERIZAR um tijolo, e uma das maiores alegrias era sair pela cidade enfiando essas bombas em tijolos, arvores e portões das casas, simplesmente pelo prazer de ver algo que não fosse nosso ir pelo ares, até mesmo no centro da cidade, acendíamos a bomba e jogávamos em alguma lata ou em um estacionamento, a gente chamava aquela bomba de “tiro de 12” em homenagem a célebre arma de fogo.
Outra peripécia que armei, e desta vez agi sozinho, teve a ver com Fio Químico, se você não foi um psicopata quando criança provavelmente não sabe o que é isso então eu conto, quer saber? conto nada, procura no Google, tudo o que você precisa saber é que ele funciona como se fosse um incenso, você acende só uma brasinha no barbante e deixa a natureza cuidar do resto, o calor da brasa reage com o enxofre presente no barbante e o resultado é: Em um raio de 20 metros era impossível de qualquer ser humano ficar. Aquela porcaria custava 25 centavos na época, então me armei com 5 reais de fios químicos e no dia seguinte pedi licença para a professora para sair pra “beber Água” e por onde passei escondi em algum canto um maldito fio, como demorava alguns minutos para a reação iniciar deu tempo de voltar pra sala sem levantar suspeitas, alguns minutos depois, começou a merda, o maldito cheiro ficou pior e com um alcance MUITO maior que eu esperava. Aliás já reparou que a maioria das merdas que acontecem comigo é porque eu sempre esperava algo menor e controlável? Eu queria era só irritar todo mundo mas consegui interditar aquela ala do colégio durante o período da manha, fiz várias alunas passarem mal, o diretor da escola passar de sala por sala ameaçando os possíveis autores do ato, mas no final das contas consegui o que eu queria, irritei muita gente.
O melhor de tudo era que como um dos Nerds da sala nenhuma suspeita recaiu sobre mim, apesar de ter sido o ultimo a sair da sala, os “descolados” ficaram se acusando e bolando teorias de como haviam intoxicado metade da escola e eu fiquei de boa (Pelo menos até hoje).

Pablo Victor Arceles Encontrou na net como fazer fio químico caseiro.

FÉRIAS NA PRAIA Pt3

Parte 3 SEBO NAS CANELAS

Pois é, minha vida estava ótima, e todo dia tínhamos que ligar para o QG para informar que ninguém estava tinha sido estuprado, assaltado, comido por um tubarão ou usando drogas. Foi em uma dessas ligações que o W. falou a pior coisa pra pessoa errada, nossa avó, amo minha vó, adoro ela, mas a coitada tem uma língua que não cabe na boca, acontece que o W. ligou pra ela e no meio da conversa ele comentou que “tava tudo bem ele só sentia falta de comer feijão” só que ele esqueceu de adicionar que ninguém fazia feijão por pura preguiça mesmo, às vezes nem fazíamos comida comprávamos marmita mesmo, o cérebro da minha avó filtrou algumas palavras e na hora de retransmitir a mensagem ela disse mais ou menos o seguinte: “Gente as crianças tão morrendo de fome a G. não trata deles tá faltando comida em casa eles tão comendo só os restos das pizzas onde eles tão trabalhando, nem roupa limpa eles tem…”.
Não preciso mencionar a enxurrada de ligações de desabou em SC ORDENANDO que voltássemos, isso a alguns dias do réveillon, explicamos que focinho de porco não era tomada e acabou ficando tudo bem, pelo menos até a véspera do réveillon.
Na véspera do réveillon meus primos tiveram que trabalhar naturalmente, eu fiquei em casa de boa até 1 hora da manha mais ou menos, quando fui até a pizzaria acompanhar meus primos como de costume, mencionei que o bairro em que a gente estava era meio barra pesada? Então, as ruas lá ainda não estava pavimentadas, algumas eram de areia, os postes de luz funcionava um, faiava o outro, passei na área dos moto clubes para dar mais uma apreciada nas maquinas, mas não tinha ninguém, as ruas periféricas viraram cenário de Racoon City, e fui entender o motivo quando cheguei na avenida principal, toda a galera da cidade estava concentrada lá, foram poucas as vezes em que vi tanta gente reunida em um único espaço, o local estava me lembrando as festas dos “Velozes e Furiosos”, carros fodas, mulherada com pouca roupa, som alto e muita bebida. Quando cheguei na pizzaria que estava quase fechando, vi que o W. e J. estavam recebendo o pagamento, acho que ela ganhavam por semana, não me lembro direito, só sei que o gordo lá estava dando uma parte do dinheiro e depois do réveillon ele daria o resto porque a gente voltaria para Toledo e tinha que acertar as contas, no caminho pra casa, a fuzarca que o pessoal tava aprontando na rua estava tomando proporções épicas, os único estabelecimentos que não tiveram o bom censo de trancar as portas e colocar algo bem pesado atrás eram os que vendiam bebidas, o carros que tentavam passar pela avenida eram parados em uma espécie de pedágio alcoólico, se quisesse passar o motorista tinha que dinheiro ou bebida, como eu e o W. éramos (éramos?) meio psicopatas ficamos convencemos a J. de ficar por ali, observando o circo pegar fogo, (convencemos: ou fica com a gente ou vai sozinha) ficamos perto de uns motoqueiros com roupa e couro motos customizadas e tal, o W. achou mais prudente, se acontecesse uma confusão teriamos os motoqueiros como escudo humano, e atrás da gente tinha um muro convenientemente baixo, onde uma possível fuga rápida seria possível.
O clima começou a pesar quando uma galera subiu em caminhão transportando um container, mas também o que o motorista tem na cabeça de passar por ali bem naquele momento? Cerca de uns dez maluco subiram no contêiner com garrafas de vodka enquanto dançavam ao som de festa no apê que estava no auge daquele verão, não demorou muito pra aparecer uma viatura, UMA viatura, com dois policiais, pra uma multidão ensandecida de milhares que estavam ao longo da avenida, se bem que um deles estava portando o que aparentava ser uma submetralhadora, veja bem, aparentava, estávamos a uma distância de mais ou menos cinquenta metros e com um exercito de armários na nossa frente não dava pra identificar a artilharia do “Dotô Otôridade” lá na frente, a J. repetia “vam pra casa” uma vez a cada 1,2 seg. porem, uma retirada naquele momento poderia colocar em cima da gente uma culpa que não tínhamos, e optamos por ficar, afinal, se desse merda, os primeiro que iriam pra porrada eram os cara do cuecão de couro logo em frente.
A simples presença dos policiais fez com que o som magicamente se desligasse, e os malucos em cima do contêiner se materializassem para o nível da rua, e agora que estou relembrando, a avenida se tornou transitável para carros novamente, entretanto eles eram apenas dois, como já tido e volta e meia alguma voz do além proferia algum insulto, com a densa camada de multidão que se aglomerou na calçada, eles não poderiam identificar os meliantes, tampouco prende-los afinal, ele teriam que se distanciar do carro e imagino que a turba que atacaria eles, seria o mais próximo de um ataque zumbi que eu presenciaria.
Os insultos começavam a aumentar, e algumas ameaças também surgiam, os policiais com infinitamente mais bom censo do que qualquer pessoa ali (talvez mais que todos juntos), entraram na viatura e se pirulitaram, ao som de gritos e sob uma chuva de copos descartáveis.
Neste momento foi o verdadeiro “RELEASE THE KRAKEN”, a multidão ficou alucinada com a “vitória” sob as autoridades e com a segurança de que eles não voltariam reiniciaram a balburdia. A esta altura do campeonato a J. já queria nos arrastar dali, mas o W. e eu com mais hormônios do que neurônios, optamos por continuar ali, essa, foi uma péssima ideia (como se as anteriores fossem geniais), porque 10 min, os policiais voltaram, e trouxeram companhia, muita companhia, quando vi aquele exercito de uniformes azuis eu pensei: Fudeu. Mas por um momento eles não fizeram absolutamente nada, assim como da vez anterior, quer dizer, quase nada, tentaram prender um loiro cabeludo que teve a genial ideia de resistir a prisão, é lógico que levou umas porradas, algumas amigo do cara resolveram partir pra briga também, aí virou pancadaria generalizada, alguns policiais vieram na nossa direção, e tal como previsto nossa escudo humano se mostrou útil, já que os policiais começaram a bater neles primeiro, antes de empreender fuga, nossos olhos vidraram por um momento e vi que alguns policiais já estavam atirando na multidão (balas de borracha logicamente), e outros lançavam bomba de efeito moral, nossa catarse acabou a disparamos em direção ao muro as nossas costas, corremos feito loucos seguidos por outros desesperados, por dentro do quintal de uma casa e tal qual parcuristas com 10 anos de experiência pulamos o muro tocando nele apenas com uma mão, jamais seria capaz de repetir a façanha em circunstâncias normais. Porém a J. ficou pra trás e não conseguia pular o muro, o W. voltou pra buscar ela, e praticamente arremessou a menina que raspou toda a barriga no muro, caímos em lote baldio e cheio de matagal, corremos o máximo possível e decidimos andar, se alguma patrulha nos encontrasse ofegantes teria a certeza de que estávamos fugindo da ação policial e seus cassetetes entrariam em ação, andávamos quase correndo e a J. teve a ideia de voltarmos pra avenida principal, que era mais iluminada, dobramos para a esquerda e nos dirigíamos para a avenida quando um pessoal que estava do outro lado da rua começou a chamar e gritar pra gente.
Não faltava mais nada, escapamos de apanhar de policiais pra apanhar de uma galera na rua? Mas calma, acho que o gás lacrimogêneo colocou o Murphy pra correr e o pessoal na verdade estava querendo nos avisar que não era seguro voltar para a avenida, pois os policiais haviam jogando uma boa quantidade de gás lacrimogêneo, e seria melhor esperam por ali, eles mesmo estamos chorando e espirrando horrores, pelo jeito ele não tinham uma rota de fuga como nós, e pra melhorar eles eram de Cascavel, cidade vizinha à nossa. Ficamos papeando por um tempo, mas a nuvem de gás nos alcançou e os efeitos começaram, aquela coisa queima qualquer lugar onde seu corpo tenha secreções e naquele caso eram os olhos, a garganta o nariz, pulmão, e a queimação faz você chorar e quanto mais você chora, mais ele queima.
Chegamos em casa e contamos pra G. e pro marido dela a confusão, ela ficou emputecida por não termos vindo direto pra casa, mas acabou tudo bem e fomos dormir.

MINHA PRIMEIRA BICLICLETA

A minha primeira bicicleta eu ganhei quando estava na 4° série do primário, bons tempos aqueles em que a única preocupação era ficar com as notas acima da média pra não apanhar de cinta/vara/chinelo/cabo de vassoura (meu pai era bem criativo nesse quesito).
Pois na festinha de fim de ano da quarta série recebi uma surpresa da mama, uma bicicleta novinha de 18 marchas rocha e preta, mal sabia eu que aquela armadilha de metal me causaria dores que eu nunca havia sentido antes, vale lembrar que eu havia ganhado a bicicleta, mas, não sabia andar de bicicleta, o meu vexame já começa aqui meu queridos pois minha bicicleta veio com rodinhas, e como criança é um bicho do capeta não tardou muito pra meus colegas fazerem piada da minha cara, mas eu não tava nem ai, afinal eu finalmente tinha a minha bicicleta
Quando eu finalmente aprendi a andar sem as rodinhas algum tempo depois comecei a ficar confiante demais, pedalando cada vês mais rápido até que tentando fazer uma curva a 200 milhões por hora sem frear acertei o meio fio da calçada, e fui arremessado a alguns metros de distância rolando na terra e parando exatamente na frente de um velho fumando um cigarro de palha e sujando a fralda geriátrica de tanto rir da minha cara, entretanto o senso de auto preservação naquela idade ainda não existia em mim e nem bem tinha me curado da primeira queda e fui apostar uma corrida com a molecada e achei que seria uma boa ideia deitar na bicicleta para ficar mais aerodinâmico e realmente fiquei, o problema foi que aumentando a minha aerodinâmica eu sacrifiquei o contrapeso de equilíbrio, sem os pés nos pedais para controlar meu centro gravitacional é lógico que meu destino foi o asfalto, e o resultado foram alguns centímetros de pele a menos, carrego as cicatrizes até hoje.
A manutenção da bike com o passar dos anos foi ficando de lado e isso me rendeu alguns pontos na cabeça, andando por uma rua movimentada, a roda da frente simplesmente foi embora e o resto da bike ficou, sabe aquele momento triste, em que você sabe que se fodeu? Aquela sensação de desamparo e impotência, o momento em que com milésimos de segundo você sabe que a roda foi embora, você vai parar no chão e não há nada que você possa fazer para impedir? Pois é, eu vi meu futuro naquela roda indo embora, o asfalto, velho conhecido, me abraçou fraternalmente e um exercito de curiosos me cercou, até uma alma caridosa veio e me levantou do chão, por sorte tinha um posto de saúde bem perto, e fui levado para lá, depois de uns curativos tive que andar feito o derrotado que eu era, machucado, com uma roda na mão e a bicicleta na outra, mas a melhor parte vem agora, a acidente foi em frente ao salão de beleza que minha mãe frequentava e não demorou muito para a central de informação da vida alheia espalhar pra todas as conhecidas dela a minha desventura, como cada conto aumenta um ponto, ao invés de chegar em casa com algumas escoriações e curativos, na verdade descobri que eu estava internado em estado grave no hospital porque um carro em alta velocidade havia me atropelado e um estranho carregou meu corpo moribundo para o pronto socorro.
Tirando o fato que cada vez que eu ria sentia dores terríveis até que me diverti com o causo, minha mãe nem queria mais mandar arrumar aquela birosca, mal sabia ela que o filhote ainda passaria por muitas e boas, outro dia eu conto como foi que fui atingido por descargas elétricas de Zeus. Duas vezes!!!

Pablo Victor Arceles não anda mais de bicicleta.