Minha visão dos contos fadas

Não é novidade pra ninguém que os contos de fadas eram totalmente bizarros em suas versões originais, caso você não saiba, eu te dou uma previa. A Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, na historia original, a vovozinha vira jantar, o lobo obriga ela a comer a carne da própria avó, beber seu sangue, depois ele tem relações sexuais com a chapeuzinho, ai sim ele come ela, desta vez no sentido gastronômico da palavra.

A Cinderela até que se dá bem, mas não existe fada, em algumas versões é uma bruxa e em outra é um peixe mágico, e uma das irmãs malvadas decepa metade do próprio pé para que o sapato sirva nela, o que obviamente não dá certo, mas se analisarmos a historia atual além de não fazer sentido nenhum, a fabula ainda passa valores errados, senão errados, pelo menos impróprio. A Cinderela quando é trabalhadeira, não é valorizada, muito pelo contrario, até que não mais que de repente, uma fada surge coloca nela roupas bonitas e lhe dá uma carruagem, agora pense se ao invés de estar usando o vestido mais bonito da festa ela estivesse servindo canapés, será que o príncipe teria se apaixonado por ela? E que tipo de príncipe é esse? Diz que está apaixonado pela moça mas não é capaz de reconhece-la, não, não, ao invés disso ele usa um método muito mais fácil e infalível, ele experimenta um sapato em toda moça do reino, por que como todos sabemos, nenhum pé é do mesmo tamanho que outro não é mesmo? Fico me perguntando as vezes se o príncipe não estava completamente bêbado na fatídica noite, moral de historia, não adianta trabalhar e ser esforçado, basta você ser bonito e tudo vai melhorar.

Patinho feio, esse, pra mim é o pior exemplo de historia de todos os tempos, o pato não faz absolutamente nada, passa a vida toda choramingando que é feio, que ninguém gosta dele, e o que ele faz para reverter a situação? Ele foge, foge meus amigos, ao invés de encarar o problema de frente erguer a cabeça e dar a volta por cima ele foge dos problemas e a situação dele se resolve como? Você sabe, eu sei, todos sabem, mesma moral da Cinderela, ele vira um cisne, e vive feliz para sempre, porque  afinal se você não for bonito sua vida sempre vai ser infeliz, na visão das histórias claro.

Flautista de Hamelin, essa é boa, um flautista, mágico presta um valioso serviço a uma cidade livrando-os de uma praga de ratos, os caloteiros resolvem não pagar o flautista que desta vez toca uma melodia que hipnotiza as crianças da cidade, ele as tranca em um caverna e a cidade fica repleta de adultos e coberta por um manto de tristeza, moral da história, pague o que deve ou o banco toma seus bens.

 

 

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É sério? Você foi o vencedor?

Sério? Você foi o vencedor?

As vezes é isso o que eu penso quando vejo algumas pessoas e suas atitudes, chego a pensar que talvez a teoria da evolução esteja agindo ao contrário ou então a história do filme IDIOCRACIA está acontecendo.
O filme é excelente, de 2009, não fez muito sucesso, mas deveria ser apresentado em rede nacional ao menos uma vez ao ano, no universo do filme, as facilidades da vida moderna burlaram as leis da seleção natural onde o mais apto sobrevive, no caso dos hominídeos os mais inteligentes sobreviveram e foi possível a criação de uma sociedade moderna, em que as pessoas inteligentes tinham menos filhos que as pessoas idiotas, e todo o conhecimento e cultura não foram passados adiante, em 500 anos o mundo era formado exclusivamente por idiotas.
Mas falando em termos de evolução, nossa inteligência nos estagnou, nossa espécie não mais é selecionada pelo meio, se as vacinas nunca tivessem sido inventadas, haveria uma mortalidade gigantesca, mas os sobreviventes e seus descendentes seriam imunes ou resistentes a estas doenças ou seriamos extintos, graças ao nosso telencéfalo super desenvolvido criamos maravilhosas maquinas que nos permitem acumular adiposidades em todas as partes do nosso corpo, também criamos alimentos que tem a característica única de aumentar nossa chance de ter um infarto, pressão alta, câncer e etc.
Com toda essa facilidade de conseguir alimento e abrigo, coisas que para nossos ancestrais era raro, a raça humana pode se ocupar com coisas mais triviais como, por exemplo: matar uns aos outros, criar reality shows, produzir musicas monossilábicas de contexto sexual, novelas, livros de auto ajuda, entre outros.
Agora raciocinem comigo: de milhões de espermatozoides que se sacrificam na corrida da vida apenas um vai chegar ao seu destino, entrar no óvulo e criar uma maquina biológica pensante, com um cérebro capaz de processar informações em um numero ainda não quantificado, essa maquina entrará em contato com a sociedade e aprenderá o que é certo e errado na convivência social, criará uma personalidade única no meio de aproximadamente 7 bilhões de outras personalidades… e se transformará em um traficante de entorpecentes, é sério isso?.
Tanta energia e recursos gastos para que este ser humano se desenvolva e ele se transforma nisto? Ou também temos o exemplo de Stella Liebeck uma estadunidense que processou com sucesso uma lanchonete por ter derrubado café quente em seu próprio colo, isso me enfurece além das palavras, como alguém pode processar uma empresa por um erro dela própria? Pior ainda, como alguém pode dar ganho de causa para esta pessoa? A musica também se tornou um caso a parte, segundo o Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha que analisou cerca de 500 mil musicas, a qualidade da musica mundial piorou década após década, um dos principais exemplos no nosso Brasil veranil é o Sertanejo Universitário, vejamos o que diz a Wikipédia sobre o sertanejo universitário: “… Embalado pelo grande apelo popular entre jovens dos gêneros associados, o novo segmento ganhou grande espaço na mídia. Letras e músicas simples, batidas dançantes, e refrões de fácil memorização automática…”.
Não que eu escute Mozart todo o tempo, mas a popularização do estilo associado a alta sugestibilidade do jovem, está criando um exercito de pessoas que não estão afim de compromissos e se preocupam mais com balada do que com convivência familiar e simplesmente ignoram o fato de que suas ações afetam o mundo ao seu redor, eu seria muito pedante em afirmar que este tipo de musica é ruim e deve acabar, todo tipo de manifestação musical é reflexo da sociedade em que foi criada, você acha que o funk é obsceno? Já deu uma assistida na televisão brasileira ultimamente? O culto ao corpo está em praticamente todos os programas de entretenimento, novela então é bom nem começar a comentar, quando não existiam tantos meio de comunicação a sociedade era manipulada por não saber o que de fato acontecia em outras partes do país e do mundo, hoje temos acesso a informação incondicional de todo o mundo e utilizamos este acesso para enviar solicitações de joguinhos em redes sociais, ao que parece a sociedade procura a alienação como moscas procuram ir de encontro com a luz.
E tudo isso começou com uma corrida, mas fala sério, como pode certas pessoas terem sido o espermatozoide vencedor? Será que o útero tem atalhos?

 

 

Pablo Victor Arceles

Eu o vilão

Opa!! De boa na canoa? Então gurizada, estava eu, confabulando com meus botões quando fiz uma descoberta sobre mim: Eu sou um vilão.
Na verdade tudo faz sentido agora, minhas opiniões fortes, minha visão política, meu modo de ver a vida, mas principalmente, o que mais fez sentido nisso tudo foi minha infância, eu era meio psicopata e sinceramente não sei como nunca fui preso ou respondi judicialmente por nada (Por enquanto).
Na minha tenra infância eu era capaz de coisas como, jogar todo o tipo de objeto nos telhados dos vizinhos, usar toda a sorte de explosivos EM QUALQUER COISA, interditar uma ala inteira do meu colégio e quase intoxicar vários alunos entre outros, os motivos pelo quais eu vou escrever sobre algumas coisas que eu fiz são: (a) já não moro mais no mesmo lugar a anos , (b) já faz de 10 á 17 anos que as historias aconteceram (caralho, tô ficando velho), então qualquer tipo de represália judicial está fora de questão, (c) não sou mais o monte de bosta que eu era, agora sou um monte de bosta praticante de uma arte marcial e apto a se defender de possíveis agressões físicas, (d) to sem assunto nesta bosta portanto tenho que começar a desenterrar alguns podres para manter vocês lendo esta pocilga.
Pois bem, comecemos pelo meu complexo de artilheiro (http://pt.wikipedia.org/wiki/Artilharia) onde eu me municiava de um variado arsenal, para lançar com rota matematicamente calculada em cima dos telados de minhas desavenças, a munição incluía mas não se limitava a: Ovos, mangas podres, torrões de terra, pedaços de tijolos, essas coisinhas inofensivas, me posicionava em cima da casa ou em algum ponto no quintal, de acordo com alvo, e alvejava as casas escolhendo a munição de acordo com o meu nível de raiva pela pessoa, uma artilharia comum necessita de alguém passando as coordenadas por rádio para que o alvo seja atingido, como eu tinha que realizar meus ataques protegido pela escuridão da noite eu dava o primeiro tiro calculando mentalmente a posição do alvo e os tiros subsequentes eram dados de acordo com os gritos de fúria dos moradores alvejados, de certa feita deu uma grandíssima merda, pois tendo calculado mal a rota dos projéteis, acertei um ovo dentro da casa de um malandro do qual eu queria me vingar (ele cortou minha pipa com cerol), a porta da sala estava a berta e o ovo ao invés de empreender uma trajetória de 180° teve uma trajetória de 45° e menor força do que eu imaginava, resultado, a família recebeu uma omelete voadora, acompanhada segundos depois por um torão de terra, os malandro, sabendo da minha (má) fama, foram lá em casa só pra conferir (confirmar) se os projeteis tinham partido de lá, felizmente a essa altura eu já havia escutado as ameaças e deu tempo de trancar toda a casa e apagar as luzes, minha sorte é que meus pais estudavam e trabalhavam, então sobrava pouco tempo para atenderem as reclamações da vizinhança.
Bom, como já mencionei em outros textos, se não mencionei vou mencionar agora, quando adquiri maturidade suficiente(12 ou 13 anos), tive contato com artefatos explosivos, em outras épocas, qualquer piá pançudo podia comprar quantidade de explosivos o suficiente para mandar ele e mais uns 3 amiguinhos para a casa do cacete, pois bem eu e um amigo o C. comprávamos, rojões, foguetes, bombinhas e quando falo “bombinhas” falo de um artefato com poder de fogo pra PULVERIZAR um tijolo, e uma das maiores alegrias era sair pela cidade enfiando essas bombas em tijolos, arvores e portões das casas, simplesmente pelo prazer de ver algo que não fosse nosso ir pelo ares, até mesmo no centro da cidade, acendíamos a bomba e jogávamos em alguma lata ou em um estacionamento, a gente chamava aquela bomba de “tiro de 12” em homenagem a célebre arma de fogo.
Outra peripécia que armei, e desta vez agi sozinho, teve a ver com Fio Químico, se você não foi um psicopata quando criança provavelmente não sabe o que é isso então eu conto, quer saber? conto nada, procura no Google, tudo o que você precisa saber é que ele funciona como se fosse um incenso, você acende só uma brasinha no barbante e deixa a natureza cuidar do resto, o calor da brasa reage com o enxofre presente no barbante e o resultado é: Em um raio de 20 metros era impossível de qualquer ser humano ficar. Aquela porcaria custava 25 centavos na época, então me armei com 5 reais de fios químicos e no dia seguinte pedi licença para a professora para sair pra “beber Água” e por onde passei escondi em algum canto um maldito fio, como demorava alguns minutos para a reação iniciar deu tempo de voltar pra sala sem levantar suspeitas, alguns minutos depois, começou a merda, o maldito cheiro ficou pior e com um alcance MUITO maior que eu esperava. Aliás já reparou que a maioria das merdas que acontecem comigo é porque eu sempre esperava algo menor e controlável? Eu queria era só irritar todo mundo mas consegui interditar aquela ala do colégio durante o período da manha, fiz várias alunas passarem mal, o diretor da escola passar de sala por sala ameaçando os possíveis autores do ato, mas no final das contas consegui o que eu queria, irritei muita gente.
O melhor de tudo era que como um dos Nerds da sala nenhuma suspeita recaiu sobre mim, apesar de ter sido o ultimo a sair da sala, os “descolados” ficaram se acusando e bolando teorias de como haviam intoxicado metade da escola e eu fiquei de boa (Pelo menos até hoje).

Pablo Victor Arceles Encontrou na net como fazer fio químico caseiro.

FÉRIAS NA PRAIA Pt3

Parte 3 SEBO NAS CANELAS

Pois é, minha vida estava ótima, e todo dia tínhamos que ligar para o QG para informar que ninguém estava tinha sido estuprado, assaltado, comido por um tubarão ou usando drogas. Foi em uma dessas ligações que o W. falou a pior coisa pra pessoa errada, nossa avó, amo minha vó, adoro ela, mas a coitada tem uma língua que não cabe na boca, acontece que o W. ligou pra ela e no meio da conversa ele comentou que “tava tudo bem ele só sentia falta de comer feijão” só que ele esqueceu de adicionar que ninguém fazia feijão por pura preguiça mesmo, às vezes nem fazíamos comida comprávamos marmita mesmo, o cérebro da minha avó filtrou algumas palavras e na hora de retransmitir a mensagem ela disse mais ou menos o seguinte: “Gente as crianças tão morrendo de fome a G. não trata deles tá faltando comida em casa eles tão comendo só os restos das pizzas onde eles tão trabalhando, nem roupa limpa eles tem…”.
Não preciso mencionar a enxurrada de ligações de desabou em SC ORDENANDO que voltássemos, isso a alguns dias do réveillon, explicamos que focinho de porco não era tomada e acabou ficando tudo bem, pelo menos até a véspera do réveillon.
Na véspera do réveillon meus primos tiveram que trabalhar naturalmente, eu fiquei em casa de boa até 1 hora da manha mais ou menos, quando fui até a pizzaria acompanhar meus primos como de costume, mencionei que o bairro em que a gente estava era meio barra pesada? Então, as ruas lá ainda não estava pavimentadas, algumas eram de areia, os postes de luz funcionava um, faiava o outro, passei na área dos moto clubes para dar mais uma apreciada nas maquinas, mas não tinha ninguém, as ruas periféricas viraram cenário de Racoon City, e fui entender o motivo quando cheguei na avenida principal, toda a galera da cidade estava concentrada lá, foram poucas as vezes em que vi tanta gente reunida em um único espaço, o local estava me lembrando as festas dos “Velozes e Furiosos”, carros fodas, mulherada com pouca roupa, som alto e muita bebida. Quando cheguei na pizzaria que estava quase fechando, vi que o W. e J. estavam recebendo o pagamento, acho que ela ganhavam por semana, não me lembro direito, só sei que o gordo lá estava dando uma parte do dinheiro e depois do réveillon ele daria o resto porque a gente voltaria para Toledo e tinha que acertar as contas, no caminho pra casa, a fuzarca que o pessoal tava aprontando na rua estava tomando proporções épicas, os único estabelecimentos que não tiveram o bom censo de trancar as portas e colocar algo bem pesado atrás eram os que vendiam bebidas, o carros que tentavam passar pela avenida eram parados em uma espécie de pedágio alcoólico, se quisesse passar o motorista tinha que dinheiro ou bebida, como eu e o W. éramos (éramos?) meio psicopatas ficamos convencemos a J. de ficar por ali, observando o circo pegar fogo, (convencemos: ou fica com a gente ou vai sozinha) ficamos perto de uns motoqueiros com roupa e couro motos customizadas e tal, o W. achou mais prudente, se acontecesse uma confusão teriamos os motoqueiros como escudo humano, e atrás da gente tinha um muro convenientemente baixo, onde uma possível fuga rápida seria possível.
O clima começou a pesar quando uma galera subiu em caminhão transportando um container, mas também o que o motorista tem na cabeça de passar por ali bem naquele momento? Cerca de uns dez maluco subiram no contêiner com garrafas de vodka enquanto dançavam ao som de festa no apê que estava no auge daquele verão, não demorou muito pra aparecer uma viatura, UMA viatura, com dois policiais, pra uma multidão ensandecida de milhares que estavam ao longo da avenida, se bem que um deles estava portando o que aparentava ser uma submetralhadora, veja bem, aparentava, estávamos a uma distância de mais ou menos cinquenta metros e com um exercito de armários na nossa frente não dava pra identificar a artilharia do “Dotô Otôridade” lá na frente, a J. repetia “vam pra casa” uma vez a cada 1,2 seg. porem, uma retirada naquele momento poderia colocar em cima da gente uma culpa que não tínhamos, e optamos por ficar, afinal, se desse merda, os primeiro que iriam pra porrada eram os cara do cuecão de couro logo em frente.
A simples presença dos policiais fez com que o som magicamente se desligasse, e os malucos em cima do contêiner se materializassem para o nível da rua, e agora que estou relembrando, a avenida se tornou transitável para carros novamente, entretanto eles eram apenas dois, como já tido e volta e meia alguma voz do além proferia algum insulto, com a densa camada de multidão que se aglomerou na calçada, eles não poderiam identificar os meliantes, tampouco prende-los afinal, ele teriam que se distanciar do carro e imagino que a turba que atacaria eles, seria o mais próximo de um ataque zumbi que eu presenciaria.
Os insultos começavam a aumentar, e algumas ameaças também surgiam, os policiais com infinitamente mais bom censo do que qualquer pessoa ali (talvez mais que todos juntos), entraram na viatura e se pirulitaram, ao som de gritos e sob uma chuva de copos descartáveis.
Neste momento foi o verdadeiro “RELEASE THE KRAKEN”, a multidão ficou alucinada com a “vitória” sob as autoridades e com a segurança de que eles não voltariam reiniciaram a balburdia. A esta altura do campeonato a J. já queria nos arrastar dali, mas o W. e eu com mais hormônios do que neurônios, optamos por continuar ali, essa, foi uma péssima ideia (como se as anteriores fossem geniais), porque 10 min, os policiais voltaram, e trouxeram companhia, muita companhia, quando vi aquele exercito de uniformes azuis eu pensei: Fudeu. Mas por um momento eles não fizeram absolutamente nada, assim como da vez anterior, quer dizer, quase nada, tentaram prender um loiro cabeludo que teve a genial ideia de resistir a prisão, é lógico que levou umas porradas, algumas amigo do cara resolveram partir pra briga também, aí virou pancadaria generalizada, alguns policiais vieram na nossa direção, e tal como previsto nossa escudo humano se mostrou útil, já que os policiais começaram a bater neles primeiro, antes de empreender fuga, nossos olhos vidraram por um momento e vi que alguns policiais já estavam atirando na multidão (balas de borracha logicamente), e outros lançavam bomba de efeito moral, nossa catarse acabou a disparamos em direção ao muro as nossas costas, corremos feito loucos seguidos por outros desesperados, por dentro do quintal de uma casa e tal qual parcuristas com 10 anos de experiência pulamos o muro tocando nele apenas com uma mão, jamais seria capaz de repetir a façanha em circunstâncias normais. Porém a J. ficou pra trás e não conseguia pular o muro, o W. voltou pra buscar ela, e praticamente arremessou a menina que raspou toda a barriga no muro, caímos em lote baldio e cheio de matagal, corremos o máximo possível e decidimos andar, se alguma patrulha nos encontrasse ofegantes teria a certeza de que estávamos fugindo da ação policial e seus cassetetes entrariam em ação, andávamos quase correndo e a J. teve a ideia de voltarmos pra avenida principal, que era mais iluminada, dobramos para a esquerda e nos dirigíamos para a avenida quando um pessoal que estava do outro lado da rua começou a chamar e gritar pra gente.
Não faltava mais nada, escapamos de apanhar de policiais pra apanhar de uma galera na rua? Mas calma, acho que o gás lacrimogêneo colocou o Murphy pra correr e o pessoal na verdade estava querendo nos avisar que não era seguro voltar para a avenida, pois os policiais haviam jogando uma boa quantidade de gás lacrimogêneo, e seria melhor esperam por ali, eles mesmo estamos chorando e espirrando horrores, pelo jeito ele não tinham uma rota de fuga como nós, e pra melhorar eles eram de Cascavel, cidade vizinha à nossa. Ficamos papeando por um tempo, mas a nuvem de gás nos alcançou e os efeitos começaram, aquela coisa queima qualquer lugar onde seu corpo tenha secreções e naquele caso eram os olhos, a garganta o nariz, pulmão, e a queimação faz você chorar e quanto mais você chora, mais ele queima.
Chegamos em casa e contamos pra G. e pro marido dela a confusão, ela ficou emputecida por não termos vindo direto pra casa, mas acabou tudo bem e fomos dormir.

MINHA PRIMEIRA BICLICLETA

A minha primeira bicicleta eu ganhei quando estava na 4° série do primário, bons tempos aqueles em que a única preocupação era ficar com as notas acima da média pra não apanhar de cinta/vara/chinelo/cabo de vassoura (meu pai era bem criativo nesse quesito).
Pois na festinha de fim de ano da quarta série recebi uma surpresa da mama, uma bicicleta novinha de 18 marchas rocha e preta, mal sabia eu que aquela armadilha de metal me causaria dores que eu nunca havia sentido antes, vale lembrar que eu havia ganhado a bicicleta, mas, não sabia andar de bicicleta, o meu vexame já começa aqui meu queridos pois minha bicicleta veio com rodinhas, e como criança é um bicho do capeta não tardou muito pra meus colegas fazerem piada da minha cara, mas eu não tava nem ai, afinal eu finalmente tinha a minha bicicleta
Quando eu finalmente aprendi a andar sem as rodinhas algum tempo depois comecei a ficar confiante demais, pedalando cada vês mais rápido até que tentando fazer uma curva a 200 milhões por hora sem frear acertei o meio fio da calçada, e fui arremessado a alguns metros de distância rolando na terra e parando exatamente na frente de um velho fumando um cigarro de palha e sujando a fralda geriátrica de tanto rir da minha cara, entretanto o senso de auto preservação naquela idade ainda não existia em mim e nem bem tinha me curado da primeira queda e fui apostar uma corrida com a molecada e achei que seria uma boa ideia deitar na bicicleta para ficar mais aerodinâmico e realmente fiquei, o problema foi que aumentando a minha aerodinâmica eu sacrifiquei o contrapeso de equilíbrio, sem os pés nos pedais para controlar meu centro gravitacional é lógico que meu destino foi o asfalto, e o resultado foram alguns centímetros de pele a menos, carrego as cicatrizes até hoje.
A manutenção da bike com o passar dos anos foi ficando de lado e isso me rendeu alguns pontos na cabeça, andando por uma rua movimentada, a roda da frente simplesmente foi embora e o resto da bike ficou, sabe aquele momento triste, em que você sabe que se fodeu? Aquela sensação de desamparo e impotência, o momento em que com milésimos de segundo você sabe que a roda foi embora, você vai parar no chão e não há nada que você possa fazer para impedir? Pois é, eu vi meu futuro naquela roda indo embora, o asfalto, velho conhecido, me abraçou fraternalmente e um exercito de curiosos me cercou, até uma alma caridosa veio e me levantou do chão, por sorte tinha um posto de saúde bem perto, e fui levado para lá, depois de uns curativos tive que andar feito o derrotado que eu era, machucado, com uma roda na mão e a bicicleta na outra, mas a melhor parte vem agora, a acidente foi em frente ao salão de beleza que minha mãe frequentava e não demorou muito para a central de informação da vida alheia espalhar pra todas as conhecidas dela a minha desventura, como cada conto aumenta um ponto, ao invés de chegar em casa com algumas escoriações e curativos, na verdade descobri que eu estava internado em estado grave no hospital porque um carro em alta velocidade havia me atropelado e um estranho carregou meu corpo moribundo para o pronto socorro.
Tirando o fato que cada vez que eu ria sentia dores terríveis até que me diverti com o causo, minha mãe nem queria mais mandar arrumar aquela birosca, mal sabia ela que o filhote ainda passaria por muitas e boas, outro dia eu conto como foi que fui atingido por descargas elétricas de Zeus. Duas vezes!!!

Pablo Victor Arceles não anda mais de bicicleta.

FÉRIAS NA PRAIA Pt2

Parte 2 A CHEGADA

A chegada na rodoviária me deu um misto de sentimentos, que vieram exatamente nesta ordem: Felicidade; por estar lá; desespero; por não ter ninguém esperando por mim, duvida; de como eu iria chegar na casa da G. sendo que não fazia a menor ideia de onde ficava, e por ultimo raiva pois o ônibus que me trouxe foi embora e reparei que havia esquecido meu travesseiro lá dentro, e eu não durmo sem meu travesseiro.
Pois bem, liguei pro meu primo W. xinguei ele e pedi pra donde é que eu ia, ele me aconselhou a pegar uma lotação e pedir pra descer próximo a rua 306B, fiz isso com uma dificuldade imensa pois caso você não se lembre ou não se importe, eu estava carregado de malas e sozinho pra carregar.
Desci na rua indicada e lá estava a vara de cutucar estrela, meus primos sempre foram mais altos que eu. Pelos olhos do W. dava pra ver que a noite tinha sido mal dormida e minha chegada atrapalhara seu sono, o que me deixou muito contente pois ele sempre me sacaneava quando criança. Por telefone aquelas pragas me falaram que o apartamento ficava perto da praia, NOT, ficava a mais ou menos 1,28 km de distancia, enquanto caminhávamos, no sol quente pra caralho, ele ai me colocando a par da rotina.
Vale fazer uma pausa para levantar uma polêmica. Por que é socialmente aceitável você andar por ai de roupa de banho, mas é vergonhoso ser visto com roupas de baixo? Sério, por favor, me respondam, pois não entendo, uma mulher aceita ser vista de bikini, mas a mesma criatura faria um escarcéu se fosse vista com calcinha e sutiã, ambos cobrem a mesma quantia de pele a diferença é apenas o material de que são feitos, reflita sobre isso.
É estranho como nos adaptamos rápido ao ambiente em que somos inseridos, se eu estivesse na minha cidade e uma mulher passasse usando somente bikini, ela seria a sensação, na praia, 5 min depois de você dar uma volta, tanto faz, tem bikini e bunda pra todo lado, se torna uma coisa até sem importância, e encorajado pelas baleias antropomórficas que estavam andando pela rua, decidi tirar a camisa e exibir minha estrutura óssea, nesta época eu era tão magro que deviam pensar que eu era algum tipo de inseto, cujo esqueleto fica do lado de fora do corpo, mas se alguém que pesa em torno de seis arrobas anda por ai de boa, eu não tinha com o que me preocupar.
Finalmente chegamos no local, um condomínio ainda em construção, a G. morava no 3° andar e as escadas eram ingrimes e só dava pra passar uma pessoa de cada vez, (anote esta informação ela será relevante mais tarde), depois de instalado propriamente, (no chão ou no sofá não me lembro agora) e alimentado resolvi acompanhar o W. e a J. até a pizzaria onde eles estavam trabalhando, eles iriam me apresentar e eu estava esperançoso de conseguir um trabalho de alta temporada, pena que Murphy destruiria meus planos de passar as féria cheio da grana. No caminho meus primos me levaram na área em que os moto clubes ficavam, pra um moleque que mal havia aprendido a limpar a bunda direito aquilo foi simplesmente DEMAIS, já tinha visto demonstrações de perícia pela televisão mas ao vivo é muito melhor, maquinas que eu calculo, na época, custavam cerca de 50 à 60 mil reais sendo jogadas no chão, rodopiadas, empinadas, tendo seus pneus queimados até explodirem, e o mais incrível é que os autores dessas proezas não eram filhinhos de papai não, eles ERAM os papais, todos ou a maioria eram quarentões e cinquentões, provavelmente tínhamos ali médicos, advogados, empresários e etc, todos extravasando o stress da melhor maneira possível: Gastando todo o dinheiro que eles se estressaram tanto para conseguir.
Quando chegamos na pizzaria foi uma decepção, os donos da pizzaria,(uma família de gordos) disseram que não iriam me contratar, motivo? Eu aparentava ser muito novo e alguém poderia denunciar a pizzaria por trabalho infantil, o fato de 90% dos funcionários deles serem menores de idade nem dá nada né? Mas por causa de um chassi de grilo tudo poderia ir por água a baixo, e mais, um dos caras me falou que ninguém me daria emprego, justamente por aparentar ser muito novo, resolvi de comum acordo com meus pais que iria apenas aproveitar a viagem.
Então, basicamente minha rotina diária era acordar, ir a praia, fazer o almoço pra cambada, visitar a G. no trabalho dela que era uma lan house, portanto eu ficava na net de grátis até o sol ficar a uma temperatura que não descolasse a carne dos meus ossos e voltava para a praia, a noite eu ficava passeando pelos shoppings de verão e de madrugada ia até a pizzaria acompanhar meus primos na volta pra casa.

Eu sou muito Zuado mesmo

Oi gente, então né, nunca liguei muito para o pensam ou deixam de pensar de mim, dizem que a pessoa quando casa fica mais desleixada com a aparência, talvez pelo fato de ter alguém com quem fornicar a necessidade de se mostrar como potencial parceiro sexual se torna inútil, eu nunca fui muito vaidoso mas ultimamente parei pra rever alguns conceitos, por exemplo: Dois dias atrás eu fui até a padaria comprar pão. E dai? Bem Acontece que eu estava usando uma calça com um rasgo que começa na bunda e acaba na coxa, nem tinha percebido até o ar noturno refrescar meus fundilhos, o que eu fiz? fui assim assim mesmo, foda-se essa merda.
E ontem aprontei mais uma, precisava compra uma pacotes de suco em pó(câncer em pó), e o chinelo mais próximo era o da patroa, um lindo chinelo verde claro com florzinhas vermelhas e uma borboleta em cima dos dedos, não me fiz de rogado calcei aquele troço e fui assim mesmo, nem preciso comentar que TODOS que passavam por mim davam risada. To poco me fudendo, é uma pais livre não?

|PAUSA NA ESCRITA|

Vou ali lavar a cabeça do meu filho João Victor, ele achou que seria uma boa ideia passar pasta de dente no cabelo dele e da irmã.

|CONTINUANDO|

E teve também as várias vezes em que eu acordei e fui direto na padaria, com a cara toda amassada e o cabelo parecendo um ninho de ratos.
E você o que acham? Devemos nos preocupar no mínimos detalhes com a nossa imagem para com pessoas desconhecidas e sem a mínima importância em nossas vidas?